Biomas brasileiros

Desde novembro do ano passado até o carnaval mais ou menos, participei do chamado time de autores Nova Escola. A Nova Escola era aquela revista especializada em educação, muito conhecida no meio dos professores, onde encontrávamos artigos sobre a área, relatos de atividades pedagógicas, planos de aula, etc. A revista no formato físico não existe mais, mas seu conteúdo segue atualizado na internet.

Até maio desse ano, estará disponível no site a Nova Escola centenas de propostas planos de aula, alinhados à nova Base Nacional Comum Curricular. Os planos foram elaborados tendo em conta metodologias ativas para serem trabalhadas em sala de aula, levando em consideração a realidade de cada localidade. Trata-se de uma ótima opção para professores e professoras de todo o país.

Participei do projeto elaborando dez planos de aula para o sétimo ano, sobre biomas brasileiros. Aqui você pode encontrar links para os dois primeiros planos, com o tempo disponibilizarei o resto.

A Floresta Amazônica.

A Mata Atlântica.

vegetação

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Paisagens do Rio Grande do Sul

Quadrinhos na internet

Acabo de ler um estudo muito interessante sobre paisagem. Se chama O PAMPA COMO BIOMA E PAISAGEM CULTURAL: Um estudo de percepção ambiental e preferência paisagística e se trata da dissertação de mestrado de autoria de Frank Gonçalves Pereira. Como trato, neste espaço, de geografia e imagens, acredito que a discussão levantada no trabalho citado tem tudo a ver com este blog.

O autor dá ênfase à problemática das transformações sofridas pelo bioma pampa. Principalmente, aquelas transformações provocadas pela cultura, em larga escala, do eucalipto, introduzida na referida área a partir dos anos 2000.  Diferentemente de outros estudos, que se baseiam em supostos impactos ambientais provocados pelo eucalipto ao solo e aos recursos hídricos, Pereira procura, no impacto cultural, a sua defesa à paisagem pampeana.

Durante seu exaustivo trabalho, o autor cita outros estudos que abordam a cultura do eucalipto no bioma pampa. Segundo estes estudos, as médias de chuva na área do bioma são mais altas do que o tanto de água que estas árvores exóticas absorvem, acontecendo um balanço hídrico positivo para o ambiente. Para Pereira, este argumento de que o eucalipto esgota as reservas de água locais não é o melhor. Pois pode ser rebatido tecnicamente com facilidade.

Na opinião do autor, a melhor maneira de defender a paisagem do pampa, é reivindicar o seu valor cultural.  Ou seja, o ser humano constrói a sua subjetividade, sua identidade cultural através da sua percepção. Assim, no Rio Grande do Sul, temos a figura folclórica do gaúcho, que é um símbolo desse estado. Pois bem, esta identidade cultural está fortemente ligada à paisagem do pampa. Aos campos de relevo suavemente ondulado ou plano, ao gado pastando, ao quero-quero fazendo seus ninhos no campo.

O autor usa algumas fotos do pampa, tiradas por ele mesmo, para fazer sua pesquisa, consultando centenas de pessoas sobre a percepção delas em relação às fotos. Quais representariam aquela pampa que a pessoa tem na imaginação e quais, não. Assim, aquelas fotos que mostravam áreas de plantação de eucalipto, não eram percebidas como pampa.

Essa discussão é tão importante que o estudo traz a citação da CARTA DE BAGÉ ou CARTA DA PAISAGEM CULTURAL, documento que defende a importância história e cultural de se preservar o bioma pampa.

O PAMPA COMO BIOMA E PAISAGEM CULTURAL: Um estudo de percepção ambiental e preferência paisagística.

Tira que fiz para um plano de aula. Me baseei na discussão levantada na dissertação.

Como disse no início, acredito que este trabalho traz uma discussão muito importante hoje em dia. Quando falamos de preservação da cultura e tradições, do que estamos falando. Quais são os setores da sociedade que mais gostam de evocar a tradição e as origens em seus discursos? Eu chutaria o agronegócio. Justo o setor que mais se empenha em destruir os ambientes naturais brasileiros.

Essa discussão ainda serviria para outras áreas do Rio Grande do Sul. Aqui, onde moro, na chamada serra gaúcha, assisto a constante modificação da paisagem. A retirada da vegetação nativa para empreendimentos luxuosos, hoteleiros, industriais, etc. Nas áreas urbanas, a derrubada das antigas casas coloniais para serem substituídas por condomínios modernos também é uma tônica.

Em Garibaldi, recentemente, ocorreu uma discussão sobre as fachadas dos comércios no seu centro histórico. A preocupação era com a descaracterização da cidade, que podia perder aquele charme colonial que atrai os visitantes. Enfim, uma discussão similar com a levantada por Pereira quanto à paisagem do pampa.

progresso

Charge que fiz, discutindo as transformações da paisagens. No caso a intensa descaracterização de uma zona de imigração italiana.

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Outra charge que fiz. A publicidade comercial pode descaracterizar os monumentos históricos?

Quais são os interesses que entram em jogo na transformação das paisagens? Quem são os setores da sociedade consultados na elaboração dos planos econômicos, de agricultura ou de construção? Quando se usa a palavra desenvolvimento, o que se está querendo dizer com isso?

Apenas algumas questões para a reflexão. Obrigado.